Equipe Riso: o projeto que incentiva a doação de gentilezas

Conheça o projeto Equipe Riso, de Belmonte, na Bahia, em que um grupo se empenha para proporcionar um dia a dia mais feliz para a comunidade

Publicado em 16/02/2012
Lígia Menezes
A Equipe Riso é formada por um grupo de pessoas empenhadas em proporcionar um dia a dia mais feliz para a comunidade
Foto: Divulgação
Em Belmonte, pequena cidade da Bahia, uma turma animada acredita que generosidade não é apenas doar objetos, mas doar gentilezas. É a Equipe Riso, projeto coordenado por Tata Campos, que existe há quase quatro anos e ensina às crianças habilidades que elas não aprendem na escola. Confira a entrevista:
Como é composta a Equipe Riso?
A Equipe é formada por um grupo de pessoas empenhadas em proporcionar um dia a dia mais feliz para a comunidade. Temos pessoas nas mais diversas funções: desde pintores, faxineiros, músicos, dentistas, médicos, donas de casa, crianças... Cada um colabora com o que tem de melhor. Quem criou foi meu marido Maurício, que é dentista. Ele mora em Santos e em Belmonte (15 dias em cada local). Quando chegou em Belmonte pela primeira vez, seu objetivo era bem pequeno: retribuir a forma gentil com que a cidade nos recebeu. Hoje, alcançamos muito mais do que isso. Faço de tudo um pouco: desde pesquisas na internet até descarregar caminhão de doações.
O que é doar gentilezas para vocês?
É doar atitudes positivas, sorrisos, por favor, obrigado... Pode parecer comum, mas em uma cidade onde as pessoas já têm a difícil missão de sobreviver com tão pouco, falar de Portinari, incentivar os talentos musicais, ler histórias para crianças, apresentar uma bailarina de verdade, profissional, fazer cineminha na praça e outras coisas, são gestos que podem, com certeza, transformar o lugar e as pessoas.
O que a Equipe Riso faz no dia a dia?
Conseguimos firmar uma relação de confiança, graças a um trabalho diário. Temos o Studio Riso, onde, diariamente, 20 crianças passam as tardes aprendendo coisas que não são ditas na escola, como boas maneiras, e ouvem histórias sobre Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ziraldo, Toquinho, Portinari, Gandhi...
Temos também o Largo do Riso, que foi montado onde antes era um terreno baldio. Construímos palco, camarim, banheiro e bar. Hoje, é nosso local perfeito para apresentações musicais, inclusive do Coral de Risos, que é formado por 50 crianças da comunidade. Ainda temos o Momento Riso, uma hora na rádio comunitária, três vezes por semana, para falar das coisas boas da cidade e dar chance aos jovens locutores. Isso sem falar nos eventos, como a cãominhada, que já esta na quarta edição, um trabalho bem legal de conscientização sobre a importância de recolher as fezes dos animais. Nela também oferecemos atendimento veterinário de prevenção gratuito.
O que é a banda Riso?
São 10 jovens de 15 a 21 anos. Nenhum deles tinha experiência como músico, todos aprenderam sozinhos. Estamos juntos há quase três anos. Antes, eles ensaiavam na praça, com instrumentos doados. Até construímos o Largo do Riso. Aí, ganhamos uma aparelhagem de som de um amigo.

Pessoalmente, como você pratica gentilezas em seu dia a dia?
Eu passo 15 dias na Bahia e 15 em São Paulo. Assim, me envolvo com muitas pessoas diferentes e procuro conversar com todos da forma mais atenciosa possível. Aprendi a dar valor às histórias dos outros, a ouvir com atenção. Não tenho mais tanta pressa, consigo me dar o luxo de doar meu tempo para, pelo menos, tentar fazer o dia do outro um pouco mais alegre.

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